segunda-feira, 13 de maio de 2013

O QUE HÁ DE ERRADO COM A FELICIDADE?


Ao perguntar o que há de errado com a felicidade, Zygmunt Bauman repete o que fazem outros pensadores contemporâneos (pre)ocupados com esse aspecto tão intimamente associado à vida humana. A primeira constatação do sociólogo é de que as pessoas “estão se tornando mais ricas, mas não está claro se estão se tornando mais felizes”. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos e Inglaterra concluem que as melhoras nos padrões de vida nesses países não redundaram num aumento do bem-estar subjetivo. O que é válido lá, cá também o é. A riqueza crescente no Brasil vem acompanhada de um crescimento assustador nos roubos, tráfico/consumo de drogas, assassinatos, corrupção no mundo dos negócios e da política. O cidadão adquire/tem mais dinheiro, mas acaba gastando mais com o próprio Estado, que lhe usurpa legalmente, com a segurança, plano de saúde, psicólogo, advogado etc. Ele se vê a meio caminho entre o restaurante e a academia, entre o ê(c)xtase e o antidepressivo. Quanto mais dinheiro, a maior a necessidade de consumo. O shopping center transformou-se num tipo de éden, num paraíso reencontrado. Bauman argumenta que igualar a felicidade à compra de mercadorias “é afastar a probabilidade de a busca da felicidade algum dia chegar ao fim”. Há um descompasso no dia a dia desse cidadão, causado pela pressa (que independe do maior ou menor tempo ocioso). Sentado em frente do último modelo de televisor, ele é instigado comprar um novo automóvel, a mudar os objetos que mobilham sua casa/apartamento. Não mais planeja sua vida a longo prazo, afetado pelo imediatismo. O futuro é impensado, uma vez que vive preso ao presente em sua caverna hi-tech (numa permanente transitoriedade). Isso e muitas outras coisas o impedem de ser feliz.

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