sexta-feira, 12 de outubro de 2012

LEITURA E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO

Alexander Romanovich Luria, ao abordar o desenvolvimento histórico da linguagem, afirma que esta passou de uma "função de designação dos objetos na atividade prática entre os homens a uma função de acúmulo e transmissão de conhecimento". Antes de transmitir conhecimento, a linguagem tem a função, pode-se dizer essencialmente humana, de organizar o próprio psiquismo, base para o pensamento, para a consciência. 
A produção do parágrafo acima, por exemplo, não ocorreria sem a leitura do livro da Psicologia Social, produzido pela Universidade do Sul de Santa Catarina, que produziu, por sua vez, a partir de uma leitura do livro Pensamento e linguagem, de A.R.Luria. Certamente, esse autor russo leu Lev Vygotsky, do qual era contemporâneo, para produzir sua teoria. 
Parte do conhecimento científico é produzido desta forma nas universidades, com base na pesquisa bibliográfica. Nesse sentido, os trabalhos acadêmicos consistem num corolário de autores diversos. Num curso de pós-graduação na URI, Júlio Prates e eu concordávamos em criticar o excesso de citação, sem um feedback proporcionado por quem produz o artigo. Hoje me dou conta que tal feedback também é resultado de leituras anteriores, já internalizadas. 
Noventa e nove por cento do que sabemos acerca do passado, de um tempo e de um lugar que nos antecedem, advém de nossas leituras. As inferências de todas as leituras que realizamos causa a impressão de termos a posse do conhecimento, ao qual aplicamos uma chancela pessoal. Um exagero para um por cento que podemos  produzir efetivamente. 

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